Cantinho da Poesia


Um céu comum

 

 

Quando eu entrar pela porta do céu

Eu serei um homem apenas feliz

Não contarei mais tantas estrelas

Que eu sonhei tanto pelo caminho

 

Terei a alegria do sorriso de uma criança

A esperança de um jovem sonhador

Escutarei a música cósmica do universo

Cantarei para os deuses o meu hino

 

Apenas repousarei a minha alma cansada

Por entre as nuvens que escondem Deus

Eu terei a macieza de uma seda

A felicidade de uma colorida borboleta

 

Os anjos se alegrarão por me encontrar

A casa de Deus estará de portas abertas

Uma grande festa esperará por mim

Eu serei o seu hóspede por toda a vida

 

Os meus sonhos se tornarão realidade

As luzes das estrelas serão minha fantasia

Olharei para a Terra ainda tão pequenina

Perto desse lugar infinito onde não se rima

 

Lá no céu eu cultivarei as minhas rosas

A paz que eu nunca senti dentro de mim

Sei que também lá haverá um grande rio

Onde eu possa nadar sem ter medo do perigo

 

Não haverá o tempo para se viver

Apenas o infinito sonho de amar

Eu terei ao meu lado novos amigos

E todos os heróis que eu nunca tive

 

Caminharei entre relâmpagos e trovões

Não temerei mais estar com a solidão

Serei um homem com tua alma liberta

E não mais viverei escravo da ilusão

 

Visitarei outros mundos em outros planetas

Conhecerei civilizações ainda desconhecidas

Colocarei a minha melhor roupa nova

Para que eles não se assustem comigo

 

Perguntarei para Deus quando poderei voltar

E se acaso ele me disser que não retornarei

Aceitarei uma nova casa nesse lugar que estou

Pois me senti tão amado por tudo o que não sou



Escrito por Giovani às 07h53
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Oceano

 

Quero me afogar neste oceano

E que ele entre em mim

Para que eu flutue em tuas marés

E me dê à medida certa do amor

Pois eu não quero me afogar

E de repente morrer assim

Quero apenas senti-lo em você

Perto de mim e flutuando nele

 

Como água que jorra do riacho

Entre os campos densos de montanhas

Quero a tua porção mágica em mim

Como se a última gota do céu caísse

E me transformasse neste oceano sem fim

Pois o vento é feito dessas águas

Infinitas dos sentimentos apaixonados

Juntos nós seremos este oceano alumiado

 

Pela lua e as estrelas do firmamento

Beberei de tuas águas cristalinas

Purificadas do seu amor dentro de mim

Assim serei teu de corpo e alma

Sem mais precisar morrer afogado

Em minhas ilhas de queixas enfartadas

Eu me tornarei as algas marinhas

Para te beijar pela última vez que fosse



Escrito por Giovani às 07h52
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O poeta no municipal

 

 

Pelo municipal o poeta anda e desaba

De amores pelas pernas das morenas

Encanta e samba com todas brasileiras

E fica curioso no cheiro das estrangeiras

 

Ele ama e arrasta pelas ruas da cidade

Pelos automóveis nos seus faróis acesos

Piscam a luz baixa quando um pedestre

Invade o destino de sua perigosa liberdade

 

Não sei o tempo que tanto o poeta escreve

Mas percebo em seus olhos a dor da amada

Que lhe deixou perdido na breve vida breve

 

Nas curvas sinuosas ele dirige a sua poesia

Com um pouco que lhe resta de melancolia

Ele se esquece do que acontece pela vida



Escrito por Giovani às 07h52
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Nós dois

 

 

De repente ela chegou

E me olhou lascivamente

Não me deu tempo

Para dizer que gostei

Ela passou elegantemente

Os teus olhinhos invadiram

Todo o meu corpo que sorriu

Os meus lábios sentiram

Vontade de beijá-la

E de sentir o teu perfume

Vindo do seu ventre de mulher

Eu a balbuciei toda nua

Com teus seios redondinhos

Ah, como é estar perto dela

Nos seus cabelos sozinhos

Por estar tão longe de mim

É triste vê-la sem ninguém

Talvez ela seja casada

Ou esteja sem alguém

Eu não consigo mais segurar

O desejo que sinto por ela

Não tenho mais janelas

Onde eu possa vê-la

Para onde hei de fugir

Dessa loucura do amor

Que atingiu minha carne

E minha alma tão sozinha

Quando vou ter a coragem

De então conhecê-la

Chamá-la para um simples café

Ou até mesmo um chope gelado

Cairia muito bem para nós dois

Ela parece também romântica

O teu sorriso é indizível

Acho que já estou apaixonado

Por esta flor tão rara

Que espero um dia poder regá-la

Com toda a lira do meu amor



Escrito por Giovani às 07h50
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Nebulosas humanas

 

 

Dentro de nós há um eterno silêncio

Que não se corresponde ao tempo

Esse tempo que não existe lá no céu

Pois ele é um vácuo perpétuo e rarefeito

 

A escuridão no cosmo é a solidão

Que nos leva a uma imensa intimidade

Reluzindo a nossa alma de emoção

Eis que a tua solidão é sensibilidade

 

Temos um pacto de sangue galáctico

Somos as sementes cósmicas exploradas

Raios de luzes sempre fecundadas

 

Por uma estrela mãe, radiante e solar

Somos os cometas panspérmicos terráqueos

A procura de explicação por viver neste lar

 



Escrito por Giovani às 07h50
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O Bem do Mar

 

 

Como deve ser doce morrer na beira do mar

Nas ondas que levam a nossa alma ao céu

E deixar nossa substância ácida flutuando

Pelas águas salgadas azuis por tanto amar

 

No seu horizonte que não tem mais um fim

Só pode ser doce morrer neste mar de amor

Que tanto nos embriaga de tamanha saudade

O coração que tem sede e sofre tanto assim

 

Como deve ser doce morrer na beira do mar

Sentindo a brisa da maresia forte em meu peito

As gaivotas voando na direção do ar rarefeito

 

Eu e os peixes que nadam em pleno verão

Como deve ser doce morrer na beira do mar

E esquecer que sou humano que precisa de ar



Escrito por Giovani às 07h49
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Martírio

 

Meu Deus! Porque há violência no coração

Do homem, que tanto constitui uma família

E ama sua mulher e os seus filhos da poesia

Porque não intervêm com as suas mãos

 

Deus será que de fato esse mundo existe

Pode ser talvez uma quimera em meus olhos

É tanta matança de pais, mães e filhos

Que minha alma não mais o ama e desiste

 

Pois tudo ao meu redor consiste de vingança

Daquele que tanto perde o carisma da vida

Meu Deus! Porque tu não agiste antes da ida

 

Eis que a sua humanidade se auto- extermina

Não há mais tempo pra que ela renove a aliança

Do amor, Deus leve essa dor que nos contamina



Escrito por Giovani às 07h48
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Manhã de sol

 

 

Alegre manhã

se dissolve em

meus olhos

como os recentes

raios da aurora

resplandecendo

pelo horizonte,

assim me sinto vivo

como as aves

Que voam sem perigo,

livres como o vento

incessante entre as

pradarias

A chuva talvez

logo a tarde sorrateira

chegue, molhando

as flores do jardim

de casa

A música do universo

talvez me visite

logo ao anoitecer,

com suas estrelas e

a lua radiante e cheia,

talvez eu nasça

amanhã

Com toda alegria

dessa linda manhã 



Escrito por Giovani às 07h47
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Liberte o Meu Coração

 

 

Liberte o meu coração, minha querida

Deixe que ele encontre outro lugar

Outro momento que o faça de novo sonhar

Para que ele suporte o amor na despedida

 

Purifique-me com teu fado pela jornada

E carregue-me junto dos teus navios

Para que ele não se canse de nadar longe dos lírios

Águo-a-me como uma rosa no jardim da vida

 

Liberte o meu coração, minha querida

Faça dele a nossa rima mais que perfeita

O delírio amoroso que ele tanto precisa

 

Pelo caminho desta vida sem mais a recompensa

Liberte o meu coração, minha querida

E deserte a morada de minha alma perdida



Escrito por Giovani às 07h46
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Infinito silêncio

 

 

Simplesmente sozinha

A minha alma sofre calada

Por não ter um lugar

Onde ela possa ser amada

Ela vive sem lutar...

 

Abandonada pelas ruas

Desabrigada sem um teto

Vejo-a toda nua

Sem pudor, sem um arquiteto!

Que construa sua casinha...

 

Ela vive no submundo...

Das desigualdades sociais

Dos amores impossíveis

Nos perfumes orientais

Nos sonhos indeléveis...

 

Sinto-a tão distante

No meu corpo que se separa de ti

De repente me chega um vazio!

O meu peito que se parece partir

Ela se esvai num instante...

 

 

Ela me deixa sozinho

Apenas na companhia da solidão

Não tenho mais o teu carinho

A minha carne padece como um moribundo

Sem mais poder viver de emoção...



Escrito por Giovani às 07h46
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Homem blues

 

Homem blues que caminha a beira da estrada

Ouça a voz dos pássaros cantando seu lamento

Delineia o teu coração para algum sentimento

Que não seja esta tristeza que vem acumulada

 

Sei que teus sonhos são loucuras que o mundo

Nunca há de entender, pois é poesia e música

Que flui dentro de tua veia que se intensifica

Quando houve o som das estrelas vindas do fundo

 

De sua alma inexistente por ser outra galáxia

Que coexiste no cosmo maior que é a tristeza

Nas tuas canções de amor que trazem a beleza

 

Por estar próximo distante da mensagem de Deus

Eu me refugio no homem blues que tanto caminha

Em minha alma tímida por não haver ela sozinha



Escrito por Giovani às 07h44
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Eu existo?

 

 

Eu pergunto para você

Qual é a razão do existir

É saciar os prazeres da vida?

Ou é o pensar de nunca desistir?

 

Porque eu existo?

Existo por que penso

Porque eu sonho?

Sonho para que não desisto

 

Eu pergunto para Deus

Porque existe tanto dissabor?

Se o que vejo no céu

É apenas a vaidade do amor!

 

Se eu existo

Porque duvido

A vida é isso

Uma ilusão do previsto?



Escrito por Giovani às 07h43
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Elegia absoluta

 

 

A noite acabou em blues

E eu sem mais o que fazer

 

Se for preciso amar

Para assim eu viver

Então prefiro chorar

 

Para que as minhas lágrimas

Seja o meu céu sem razão

 

Pois estar ao lado de você

É fecundar o abismo da solidão

 



Escrito por Giovani às 07h43
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E-go-ís-ta

 

 

Eu sou egoísta

No meu olhar vagabundo

Que não sabe de nada

E apenas finge as tristezas do mundo

 

Eu sou egoísta

Com o meu desejo individualista

De querer sempre levar vantagem

Da inocência tola do homem

 

Eu sou egoísta

Na minha maneira de amar e dizer

Indagando ideias egocêntricas

Sobre a possível felicidade de viver

 

Eu sou egoísta

No meu insensato prazer

Que me crucia dentro de mim

Sem falar aos outros do seu fim

 

Eu sou egoísta

Na minha rima sem poesia

Que vivo nesta louca vida

Sem chegada e sem partilha

 

Eu sou egoísta

Quando penso em casamento

Na possibilidade de sentimento

De viver a dois um breve alento

 

Eu sou egoísta

Porque sou o filho e a ilha

Dessa vida de migalhas que nos pariu

Esta emoção fada e vil



Escrito por Giovani às 07h42
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Cazuza tinha razão

 

 

A conformidade de ter

que seguir-se um mesmo

ritual

Pra mim é tão fútil

e banal

Se não tenho tempo

nem pra pensar

Esta vida me parece

ser uma luta sem

ideal

 

Apenas para se ganhar

um status social?

Pra mim é um tanto

chata e racional

Viver pra trabalhar

e nunca mais poder

descansar

Se há tanta notícia

ruim no jornal

 

Às vezes me sinto

sem casa e sem

comida

Pra mim é degradante

saber que ser homem

é tão artificial

Com toda esta tecnologia

que se espreita por aí

De fato somos cobaias

de Deus como disse

o poeta sensacional 



Escrito por Giovani às 07h41
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